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Carga e descarga de emoções

 E do nada. Lá estava eu e mamy fazendo um lanchinho no fim de uma inocente tarde de quinta-feira. 17 horas. Na volta ao carro, opa....cadê? Segundos de pavor, mini-infarto. Cadê o carro? Última parcela de quatro anos de pagamento, sem seguro. Cadê a porra do carro? Do nada, uma voz do além: moça, tá procurando o carro?  Ele foi guinchado. O mini-infarto não passou, mas melhorou. Só aí então vi que estacionei em vaga de carga e descarga. Também do nada saiu a voz de um rapaz: “olha, guincharam teu carro. Eu até tirei foto”. Oi, como? Te conheço, como assim foto? Sem pensar em nada, sai correndo atrás do policial fdp que fez aquilo (ele tá fazendo o trabalho dele, mas pra mim continua sendo um fdp).

Ok. Descobri que meu carro estava no pátio da empresa parceira do Detran (louca para colocar aspas em parceira) simplesmente localizada no meio do nadaaaaaaa ao longo da BR. Ok, é pagar documentos, aguardar o tempo hábil e arrumar um anjo pra me dar carona e retirar o carro. Ok. No outro dia, liguei para a tal empresa quando fui informada de que os pneus também estavam carecas e precisariam ser trocados na oficina parceira (aspas de novo) próxima da empresa com pagamento de mais um ou dois guinchos. Oiiiiiiiiiiii????????????????? Como assim? Os pneus estavam ótimos. Aí tive mais alguns mini-infartos até o dia seguinte, seguido de algumas crises de ansiedade.   

Fui até o departamento de transporte, quando fui informada de que os documentos impressos só seriam entregues para os agendados. Um Uber a mais, um Uber a menos nesta etapa não faria diferença. Voltei pra casa. Foi quando cheguei em casa descobri que só havia agendamento para dali a um mês. Ummmmmmmmmmmm mês. Até então a pressão já devia estar a quinze por alguma coisa.

À tarde, mesmo sem dar baixa no documento, tive que ir até a tal empresa localizada em um lugar inóspito para pegar exames e medicamentos da minha mãe. Fomos eu, ela e meu irmão. Descobri que o sistema já havia dado baixa e depois de uma ligação para o órgão responsável (?), a atendente afirmou que o pneu não estava careca e sim meia vida.  Isso sem falar que tive que  passar por um despachante parceiro que me cobrou vinte reais para o pagamento de um boleto.

Ah, você acha que acabou? No! Em plena BR, o carro começou a fazer um barulho muito, muito, muito estranho. Pensei que tivessem mexido nos pneus e que a qualquer momento as quatro rodas sairiam dando um rolê pela estrada afora. Parei em um autocenter e descobri que os queridões colocaram o gancho do guincho simplesmente no eixo da roda, entortando-o. Muitos reais a menos na carteira, alguns músculos doídos pelo stress e uma lição: em um país como o Brasil não erre. Os lados se invertem e seu erro enfadonho vai ser julgado com uma proporção infinitamente maior por quem deveria ser realmente julgado por suas atitudes. Puxa o freio e vamos nessa. 

 

 


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